Ao contrário do veiculado pelos governos neoliberais, doutores em políticas públicas e economia afirmam que o Estado brasileiro,não é grande, tão pouco “inchado”. Para Paulo Kliass, da Universidade de Paris 10, e José Celso Cardoso Jr, técnico da Unicamp, falta uma política de planejamento para que a máquina pública realize as ações sustentáveis, democráticas e inclusivas para que se garanta um verdadeiro desenvolvimento econômico e social. E para enfrentar essa falta de planejamento promover a eficácia na ação governamental é preciso fazer o “oposto do que pretende a PEC 241”, afirmam.

A proposta de emenda do governo Temer fixa um limite individualizado para a despesa anual total do Executivo e demais poderes da esfera federal. Se aprovada a PEC, em 2017, o limite de gastos públicos será calculado pelo IPCA-IBGE aplicado à despesa primária realizada no exercício de 2016. Nos próximos vinte anos, será a inflação dos últimos doze meses ao gasto do exercício anterior a base de cálculo do limite de despesa para o exercício posterior.

Essa restrição durante duas décadas fará com que o Estado diminua de forma drástica sua capacidade de manter aos direitos básicos do cidadão, como Educação, Saúde e Seguridade. O pano de fundo das reformas neoliberais do governo Temer é a garantia o setor financeiro impõe para que governos, atual e futuros, dificultem ou bloquem os gastos com as garantias sociais, “mas deixando praticamente livre de restrições o gasto público financeiro que sustenta o pagamento de juros aos rentistas de plantão”.
Estado já é pequeno

Diferente do que dizem conservadores e aliados, o Estado brasileiro não é “inchado”. Na verdade, o Brasil mantém hoje um contingente de servidores civis ativos que é praticamente o mesmo de 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal. “No entanto, desde então, esse mesmo Estado ampliou em muito as suas competências e áreas institucionais de atuação, bem como o acesso da população e a cobertura social de todas as políticas públicas de âmbito federal”, destacam os analistas que demonstram em sua pesquisa que o percentual de servidores no Brasil situa-se abaixo de países “assemelhados”.

“O problema do Estado brasileiro é menos de eficiência (problema típico de gestão pública = fazer mais com menos) e mais de eficácia (fazer a coisa certa) e efetividade (transformar a realidade, eliminando ou mitigando os grandes e históricos problemas nacionais). Ou seja: grande parte dos problemas do Estado brasileiro relaciona-se com a ausência ou a precariedade do Planejamento Público (e não da Gestão pura e simples)”, dizem.

 

Confira a íntegra do artigo “Três mitos sobre o Estado brasileiro” em https://goo.gl/hC1Eqh.
No texto, os pesquisadores apresentam dados e argumentos que desmontam as teses neoliberais para o crescimento do país”

Deixe um Comentário